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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

NÃO DÁ PRA SER FELIZ

(Jaqueline )

Consciência negra
Muita amizade
Consciência negra
Já trouxe tragédia
 
Consciência negra
Tem que ter carinho
Os racistas não vão ter
Porque eles não querem
 
Você tem que fazer
O que Deus escolher
Não tem que trazer a ruindade
Só tem que trazer a felicidade.
 
Mas não dá
Os racistas
Não deixam
A gente ser feliz.



http://www.caestamosnos.org/rev_pequenospoetas/Consciencia_Negra.htm


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

CAMPANHA "POR UMA INFÂNCIA SEM RACISMO"


Participe da campanha Por uma infância sem racismo divulgando as mensagens da iniciativa.  Entre em contato conosco para obter as peças em alta resolução e saber como participar das ações de divulgação.
  • Acompanhe e divulgue a campanha no Twitter
Participe deste debate e  acompanhe a campanha por meio do perfil do UNICEF no Brasil: @unicefbrasil ou de #infanciasemracismo
  • Baixe aqui o folder da campanha
  • Publique o selo eletrônico da campanha

Publique o selo da campanha no seu site ou blog com a URL www.infanciasemracismo.org.br
  • Distribua banners e cartazes
Ajude a divulgar as peças da campanha:
  • Veja e divulgue o vídeo da campanha
Assista e divulgue o vídeo da campanha. Você pode baixar o arquivo clicando aqui.

                                                    Versão completa do vídeo 

  • Vista esta ideia!



Nós,  do Grupo MSUL04 "Performance Negra" , abraçamos essa ideia... Junte-se a nós nessa campanha! Divulgue também!

Por: Irene Cristina dos Santos Costa

CONSCIENCIA NEGRA - 20 DE NOVEMBRO

 

        Dia da Consciência Negra e o herói chamado Zumbi



Zumbi líder do quilombo dos Palmares
Zumbi foi o grande líder do quilombo dos Palmares, respeitado herói da resistência antiescravagista. Pesquisas e estudos indicam que nasceu em 1655, sendo descendente de guerreiros angolanos. Em um dos povoados do quilombo, foi capturado quando garoto por soldados e entregue ao padre Antonio Melo, de Porto Calvo. Criado e educado por este padre, o futuro líder do Quilombo dos Palmares já tinha apreciável noção de Português e Latim aos 12 anos de idade, sendo batizado com o nome de Francisco. Padre Antônio Melo escreveu várias cartas a um amigo, exaltando a inteligência de Zumbi (Francisco). Em 1670, com quinze anos, Zumbi fugiu e voltou para o Quilombo. Tornou-se um dos líderes mais famosos de Palmares. "Zumbi" significa: a força do espírito presente. Baluarte da luta negra contra a escravidão, Zumbi foi o último chefe do Quilombo dos Palmares.
O nome Palmares foi dado pelos portugueses, em razão do grande número de palmeiras encontradas na região da Serra da Barriga, ao sul da capitania de Pernambuco, hoje, estado de Alagoas. Os que lá viviam chamavam o quilombo de Angola Janga (Angola Pequena). Palmares constituiu-se como abrigo não só de negros, mas também de brancos pobres, índios e mestiços extorquidos pelo colonizador. Os quilombos, que na língua banto significam "povoação", funcionavam como núcleos habitacionais e comerciais, além de local de resistência à escravidão, já que abrigavam escravos fugidos de fazendas. No Brasil, o mais famoso deles foi Palmares.
O Quilombo dos Palmares existiu por um período de quase cem anos, entre 1600 e 1695. No Quilombo de Palmares (o maior em extensão), viviam cerca de vinte mil habitantes. Nos engenhos e senzalas, Palmares era parecido com a Terra Prometida, e Zumbi, era tido como eterno e imortal, e era reconhecido como um protetor leal e corajoso. Zumbi era um extraordinário e talentoso dirigente militar. Explorava com inteligência as peculiaridades da região. No Quilombo de Palmares plantavam-se frutas, milho, mandioca, feijão, cana, legumes, batatas. Em meados do século XVII, calculavam-se cerca de onze povoados. A capital era Macaco, na Serra da Barriga.
A Domingos Jorge Velho, um bandeirante paulista, vulto de triste lembrança da história do Brasil, foi atribuído a tarefa de destruir Palmares. Para o domínio colonial, aniquilar Palmares era mais que um imperativo atribuído, era uma questão de honra. Em 1694, com uma legião de 9.000 homens, armados com canhões, Domingos Jorge Velho começou a empreitada que levaria à derrota de Macaco, principal povoado de Palmares. Segundo Paiva de Oliveira, Zumbi foi localizado no dia 20 de novembro de 1695, vítima da traição de Antônio Soares. “O corpo perfurado por balas e punhaladas foi levado a Porto Calvo. A sua cabeça foi decepada e remetida para Recife onde, foi coberta por sal fino e espetada em um poste até ser consumida pelo tempo”.
O Quilombo dos Palmares foi defendido no século XVII durante anos por Zumbi contra as expedições militares que pretendiam trazer os negros fugidos novamente para a escravidão. O Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro no Brasil e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695.
A lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, incluiu o dia 20 de novembro no calendário escolar, data em que comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. A mesma lei também tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Nas escolas as aulas sobre os temas: História da África e dos africanos, luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, propiciarão o resgate das contribuições dos povos negros nas áreas social, econômica e política ao longo da história do país.
Amélia Hamze
Profª da FEB/CETEC
ISEB/FISO-Barretos
ahamze@uol.com.br
Sociologia - Brasil Escol

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Diversidade cultural, variadas expressões populacionais e etnias, e muita indignação na 2ª Conferência Estadual da Juventude

Prevista como um momento de discussão e apresentação de propostas para melhores políticas públicas direcionadas à juventude brasileira, a II Conferência Estadual da Juventude, realizada em Aracruz-ES, nos dias 27, 28 e 29 de outubro, se transformou num Evento de revolta, protestos e indignação.


imagem

A Conferência da Juventude, acontecida no SESC de Praia Formosa, município de Aracruz – ES, no último final de semana de outubro, reuniu mais de quinhentos jovens provenientes de todas as regiões do Estado, representantes das mais variadas etnias, culturas, manifestações populares e grupos de vivência da sociedade brasileira. Comunidades indígenas, etnologias, grupos temáticos, adversidades, tendências culturais foram representadas na Conferência onde as discussões caminharam quase todo o tempo para a insatisfação, não pela atual situação em que vive essa juventude sedenta de políticas dos Governos pela melhoria das mais diversas situações inerentes aos jovens, mas pelo que seria uma desorganização notória do Evento, e principalmente a ausência inaceitável, não justificada, do representante maior do Governo do Estado, tão esperado neste importante momento de discussões e entendimentos dessas situações.
Houve enorme polêmica na Plenária em relação ao processo de Eleição de Delegados para a Conferência Nacional que será em Brasília-DF de 09 a 12 de dezembro próximo. Num dos momentos mais tensos alguns chegaram a rasgar seus crachás como forma de protesto. Denúncias abertas entre centenas de jovens no Auditório do SESC onde as palestras, conversações e votações ocorriam acusavam a intenção de favorecimento da região metropolitana da Grande Vitória, na qual estão os municípios de Cariacica, Vila Velha, Viana, Serra e a capital do Estado nas vagas para Delegados, na Conferência Nacional, previstas no Artigo 14 do Regulamento, “desmerecendo” assim as demais regiões do Espírito Santo somando 73 outros municípios. O clima de revolta resultou em muitas críticas à Comissão Organizadora Estadual (COE) massacrada perante a Plenária pelo atraso excessivo dos trabalhos, já iniciados na recepção e acomodação dos participantes.
Algumas autoridades estiveram presentes na Mesa de Abertura e fizeram colocações que até receberam apoio dos presentes; a exemplo, o Deputado estadual “Da Vitória” que propôs a criação de uma Comissão Especial junto à Assembléia Legislativa para discutir as questões referentes à Juventude do nosso Estado, e que essa em breve se torne uma comissão permanente. O também deputado Professor Paulo se manifestou em favor de uma maior participação dos jovens nas decisões do Governo. E a Senadora Ana Rita enalteceu a diversidade de jovens presentes discutindo políticas públicas nesta Conferência, lembrando os muitos desafios das categorias ao longo dos anos. O senhor Darcy, representando uma organização da juventude a nível nacional informou que se aguarda a aprovação no Senado do Estatuto da Juventude. Enquanto que o Deputado Federal Paulo Foleto falou de avanços e como isso influenciou a juventude.
A representatividade da juventude
Thaynara Rodrigues de Freitas, 16 anos, do município de São Gabriel da Palha, deficiente visual, aluna da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio “São Gabriel da Palha”, duas vezes por semana sai de madrugada para viajar ao município de Colatina e frequentar um Centro de Reabilitação. Segundo a senhora Maria do Socorro Santana Reinoso, abilitadora de pessoas com deficiência visual, foi feito um pedido para que ela tivesse um professor especializado em seu município e a Escola onde a adolescente estuda alegou que não tinha profissional especializado na área de deficiência visual, e o Estado não facilitou. O que levou Thaynara a buscar atendimento em Colatina, saindo de madrugada em uma das vagas dos carros da Secretaria de Saúde do seu município, quando há essa possibilidade, pois Thaynara vende bjouterias que ela mesma produz para ajudar no custeio de transporte quando necessário e da sua alimentação. A própria adolescente teve a iniciativa de procurar a prefeitura por esse apoio. No entanto, a Campeã numa Competição de Xadrez adaptado para cegos, além de um terceiro lugar na Copa Brasil 2010, nesta modalidade, realizada no Rio de Janeiro e São Paulo, competindo com adultos experientes, é um grande exemplo de força da vontade de uma juventude que quer discutir e apresentar propostas aos Governos, lutando pelos seus direitos. Sua orientadora na mobilidade para caminhar sozinha, dona Maria do Socorro, informou o quanto a menina é esforçada e dedicada no que quer. “As bijoterias ela já faz com a grande habilidade desenvolvida para usar a língua... Agora ela vai também aprender a cozinhar... e já tem um namorado que também é cego rsrs” – falou a orientadora acompanhante, provocando risos em Thaynara que caminhava seguramente a nossa frente e dizia: “Vou casar com ele mais vai depender da sogra rsrs”.
Revolta pela ausência do Governador
Mestrando em Política Social na Universidade Federal do Espírito Santo – UFES, Camila Valadão, Assistente Social, uma das palestrantes foi taxativa ao dizer: “É lamentável saber que as propostas apresentadas na I Conferência ficaram engavetadas em grandes empresas. Possivelmente foram parar em alguma mesa da Empresa Queirós Galvão” – Empresa que seria da família do Ex-Governador Paulo Hartung, também citado pela palestrante. Ao abordar uma triste realidade vivida no Espírito Santo, que se destaca pelo alto índice de mortalidade de jovens, Camila foi enfática ao criticar a ausência do Governador Casa Grande, o qual muitos garantiram que teria sido orientado pela Comissão Organizadora a não comparecer, a Assistente Social desabafou: “O Governador Casa Grande deveria sentir vergonha dessa situação que nosso Estado vive, e deveria estar aqui pra ouvir essa juventude”. Segundo Camila, das 20 cidades do Brasil com alto percentual de jovens mortos por assassinato, 4 estão no Espírito Santo, e destas o município da Serra é o líder.
Os índios também querem um país melhor
Os índios das Comunidades Pau Brasil e Caieiras Velha, descendentes dos Tupiniquins, estiveram representados pelos jovens Altieres, Josiane e Wander que foram lutar pelos diretos da juventude indígena, respeito ao meio ambiente e uma vida digna para todos. O jovem Altieres, que simpaticamente posou para uma foto, num bate papo também fez questão de se manifestar dizendo: “A Conferência está interessante, pena que não foi bem o que a gente esperava. Eu achava que os três da nossa delegação poderiam tentar ser eleitos para Conferência em Brasília, mas a Comissão fez a coisa de um jeito que só vai facilitar para as cidades da Grande Vitória e então só um de nós índios poderá ser eleito... Dentro dessas vagas pra ir pra Brasília já deveria ter vaga garantida para um índio e as outras a gente tentaria na votação... Nós somos um povo que sofre a muito tempo, não estamos sofrendo agora. Discriminação, morte, acabando com as moradias, com as tribos... Quando se fala em meio ambiente por exemplo, devia se começar falando dos índios” – desabafou Altieres, jovem, índio, querendo também lutar por mais políticas públicas em favor da juventude deste país.
Não há limites na luta pacífica por direitos
A deficiência física que limita o caminhar da jovem Dimítria Barbosa Mandeti Eto, de Aracruz, em nada a impediria de participar da Conferência, pois ela sabia que essa seria uma oportunidade ímpar de formulação de propostas que visam atender os mais variados anseios da nossa juventude. Dimítria esteve também participando da Conferência buscando ainda ser mais uma Delegada na Conferência Nacional onde pretende lutar pelos direitos e respeito para com as pessoas, principalmente os jovens, que pela limitação física encontram maiores dificuldades para trabalhar, estudar e terem uma vida mais digna. Com deficiência também na fala, num rápido bate papo fez-se entender muito bem ao dizer: “Quero sim lutar pelos deficientes, só nós é que sabemos o que um deficiente precisa”.
A decepção de um morador do município
Senhor Jucelino, que acompanhava a jovem Dimítria, em meio a muitas discussões na Plenária quanto à participação dos conferencistas, pediu pra fazer uso do microfone e desabafou: “Eu sou morador aqui de Aracruz, nós sediamos a Iª Conferência Estadual, que foi maravilhosa; agora que estamos também sediando a 2ª Conferência quero dizer que estou decepcionado ao ver tanto descaso de muitos jovens que vieram aqui pra fazer turismo e não estão participando discussões”.
Quem de fato estava na Conferência?
Pode-se dividir a Conferência Estadual da Juventude 2011 em três categorias de conferencistas: Os que foram para discutir os encaminhamentos das Conferências Municipais falando das necessidades e anseios da juventude espalhada por todo o Estado do Espírito Santo. Os que imbuídos de pretensões políticas abandonavam a Plenária e articulavam durante todo o tempo fazendo campanha para serem eleitos ou elegerem os Delegados que atenderiam os seus interesses pessoais ou políticos, na Conferência Nacional. E os desinteressados nas questões em geral, preocupados na maioria das vezes com a boa alimentação servida no Restaurante do SESC, bancada pelo Governo do Estado, e as horas e horas de lazer no Parque Aquático lá existente, além das inevitáveis paqueras e a diversão nas atrações culturais.
Momentos de lazer pra relaxar as tensões
Show de rock pop com Banda tocando ao vivo, momentos de expressão da cultura indígena com índios da região, e uma apresentação fenomenal da Bateria da MUG – Mocidade Unida da Glória, com duas meninas passistas encantando a todos com um samba no pé de fazer qualquer sambista adulta “cair o queixo”, dentre outras atrações, marcaram os momentos de lazer e descontração dos conferencistas, distribuídos entre as mais diversas identidades culturais, representados por estudantes, trabalhadores, ativistas culturais, jornalistas, artistas, Comunidade GLBT, ONGs, povos e etnias diversos, etc... bem mesmo a cara da população do Espírito Santo.
Mimoso do Sul participou da Conferência Estadual com 7 Delegados eleitos na Conferência Municipal, realizada pela Prefeitura através da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer. Em Aracruz estiveram 6 representantes da Sociedade Civil e 1 representante do Poder Público do nosso município.
Fonte: http://www.mimosoonline.com.br
Postado por: Mônica Pontes da C. Oliveira

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Trecho d’O Agadá da Transformação)


Vem do fundo escuro do tambor
esse aflito olhar magoado
(não vencido apenas derrotado)
das irmãs e irmãos em África
fixo olhar pungente
absorvendo a beleza vital do meu corpo
incrustação do ixé
projeção amorosa de Oxum
em minha origem plantado
por desígnio paterno de Olorum
o olhar a devolvendo
à intensidade e pungência
da antiga luta comum
processada à regência
do agadá transformador
e do nosso cálido
recíproco
e solidário amor
Ogunhiê!
Ele alcançou o tempo (de converter-se) no érù egbé (o carrego que representa o egbé). Não chore, filho (oficiante do rito), não chore. Alcançou o tempo (de converter-se) no carrego (no representante) do egbé. Não chore, filho. Que Égun nos proteja a todos! Proclamai o que é justo. Que Àgbà Orixá nos proteja a todos! Proclamai (que) foi enterrado um dos seus, que foi para o òrun.(Isto quer dizer, falai alto, com justa razão, porque enterram alguém venerável que irá ao òrun).

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

MULHER NEGRA UMA PERSPECTIVA DE GÊNERO, RAÇA/ETNIA E CLASSE




sábado, 10 de outubro de 2009

Adomair O. Ogunbiyi*

Neste artigo nos propusemos a apresentar da questão da mulher, numa perspectiva da mulher negra que dentre elas carrega o fardo da tríplice opressão: Gênero,Raça/Etnia e Classe. Para além, fazemos pequena incursão em aspectos da educação em uma sociedade permeada do viés androcêntrico, étno-eurocêntrico, elitista e judaico-cristão.
____________

*Graduando do primeiro período do Curso Normal Superior da Faculdade Candido Mendes do Maranhão FACAM.

MULHER E NEGRA

Uns dos alertas do movimento negro, no Brasil, quando se toca a questão da mulher é de que “a luta contra a múltipla discriminação sofrida pela mulher negra não pode e nem deve ser vista como apêndice do avanço de consciência provocado pelo movimento feminista”. (MNU, 1990, p.6). Também não se restringe à identificação e divulgação das heroínas negras que, no passado, tanto contribuíram no processo de libertação do povo negro, e que hoje constituem exemplos inegáveis de resistência. Tais como:
1) Nzinga Mbandi(1582-1663) Rainha e grande líder africana de Angola;

2) Tereza de Quariterê, rainha do quilombo de Quariterê durante duas décadas, no séc. XVIII;

3) Luiza Mahin (1812- ?) inteligente, rebelde participante da Guerra dos Malês, na Bahia, mãe de Luiz Gama;

4) Maria Firmina dos Reis (1825- 1921), Maranhense, em 1847 conseguiu sua nomeação para o Ensino Oficial por concurso. È considerada a primeira romancista brasileira, seu livro Úrsula foi publicado com pseudônimo Uma Maranhense, em 1859. Nele a autora já denunciava a escravidão, mostrando a contradição entre a fé cristã professada pela sociedade e a crueldade do regime escravagista, com seus castigos, torturas e humilhações;

5) Auta de Souza (1876- 1901) nascida em Macaíba, Rio Grande do Norte, poéta publicou o livro “O Horto”, escrevia versos em português e francês na imprensa de seu estado;

6) Antonieta de Barros (1901- 1952) natural de Florianópolis, Santa Catarina, educadora, jornalista, escritora e a primeira mulher eleita à Assembléia Legislativa de seu estado;

7) Carolina Maria de Jesus (1914- 1977),mineira, vai morar em uma favela do Canindé, bairro da capital paulista, torna-se escritora. Quarto de Despejo, seu livro publicado em 1960 que foi traduzido em 13 idiomas;

8) Lélia Gonzalez (1935 – 1994), mineira, doutora em antropologia, militante fundadora do Movimento Negro Unificado – MNU. Feminista negra, escreveu o livro “O lugar do Negro” em 1982.Isto para citarmos alguns dos nomes mais expressivos. Há muitos mais.A trajetória da mulher negra, na sociedade, é permeada pelo mito da história oficial ou com a qualificação dada pelo movimento negro: historiografia oficial. Essa historiografia quando não a invisibiliza deturpa sua imagem. Historicamente, a maioria dos povos não-brancos tem sido submetida à opressão e exploração. No caso, específico, da mulher negra essa mazelas são acentuadas pela tripla discriminação de que são vítimas: de gênero (por parte de homens negros e não-negros); de raça/etnia (por serem negras, são afetadas pelas manifestações do racismo: a discriminação racial e o preconceito racial) e de classe (em sua maioria estão alocada nos seguimentos mais despossuídos da sociedade). Se pela ótica das classes dominantes (androcêntrica, euro-étnocêntrica, elitista e judáico-cristã) que detém o controle dos meios de produção social o colonizado, “o proletariado”, o negro, as mulheres, homossexuais, etc. são reduzidos ao silêncio qual não será a situação da mulher negra? Para responder a essa indagação deveremos fazer um passeio pela “história silenciada”. História que sempre foi contada por homens brancos que subordinaram os direitos, deveres e aspirações das mulheres, aos seus interesses. Houve períodos onde a mulher desempenhava relevante papel social, participando de atividades coletivas de seu grupo social. Com o advento da propriedade privada a mulher é confinada ao mundo doméstico e subordinada ao jugo machista do chefe da família. Se a antropologia fala sobre a “construção” social da mulher – que varia de acordo com a expectativa de cada sociedade a respeito dos papeis que a mulher deve desempenhar, como serão esses papeis para a mulher negra ? Se os modelos, que são importantes para o funcionamento da sociedade, para a educação das crianças e a partir da imitação e que definem a expectativa em torno do comportamento desejável em cada comunidade, quais serão eles para as crianças negras?Aí, reside o foco de nossa proposta de discussão.O mito da feminilidade está em estereótipos que nem sempre são válidos para as mulheres negras, senão vejamos: para a mulher não-negra são impingidos como válidos e “naturalizados” os padrões como: sensível, delicadas, altruísta, etc. Todos estes estereótipos têm cunho preconceituoso, danoso e cruel. Porém, em se tratando da mulher negra, além desses, agrega-se a discriminação e o preconceito racial.Neusa Santos Souza, em Tornar-se Negro, diz:“Saber-se negra é viver a experiência de ter sidomassacrada em sua identidade, confundida em suasperspectivas, submetida a exigências, compelida aexpectativas alienada. Mas é também, e sobretudo, aexperiência de comprometer-se a resgatar sua história erecriar-se em suas potencialidades”(SANTOS, 1983, p.17-18)Assim como, os estereótipos que estão subjacentes à dominação machista os do preconceito racial estão para justificar a discriminação racial – manifestações a serviço do racismo. Além destes estereótipos encontramos aqueles ligados a classes sociais que garantem a manutenção das desigualdades, principalmente, em uma sociedade capitalista dependente.

A ESCOLA INCLUSIVA

Para desconstruir este quadro são necessárias inúmeras intervenções, porém, uma é primordial: na educação. Entendemos que somente uma educação baseada no respeito à diversidade minimizaria as seqüelas existentes e eliminaria este tripé desumanizador – no futuro. Jesus nos alerta que:A presença do sexismo na escola revela a necessidade de se refletir sobre os preconceitos da sociedade. O sexismo nas escolas e nos manuais escolares não influencia apenas as aspirações educacionais e profissionais das meninas. Age também sobre a percepção que cada sexo tem do outro.(JESUS, 1981, p.51)Reforça com citação de Verena Stolcke que assevera:[...] a insatisfação das mulheres negras com a falta de sensibilidade das feministas brancas em relação às formas de opressão específicas acrescentou uma nova questão à agenda feminista, ou seja, de que modo abordar a maneira com gênero, classe e raça se cruzam para criar não apenas fatores comuns, mas também diferenças nas experiências das mulheres.(JESUS, 1981, p. 54).
Para ser inclusiva a escola tem de abandonar idéias retrogradas que remontam desde a Constituição outorgada de 1824, que negava direito ao estudo para a população negra e/ou afro-brasileira. As reformas educacionais, passando pela escola tradicional até a escola nova, não conseguiram atingir a construção de identidades narrativas de libertação. No final do túnel há uma luz: a Lei 10.639, Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Leis esta decretada pelo governo federal, após anos de lutas e reivindicações dos segmentos do movimento negro. A população negra já deu sua contribuição. Aguardamos, agora, a sensibilização dos demais setores da sociedade para sua implementação e assim tornarmos a educação em consonância com os pilares do conhecimento.

CONCLUSÃO

Abordar a questão da mulher numa perspectiva negra sempre foi um exercício buscado há muito tempo, entretanto, não nos sentimos satisfeitos devido a enorme gama de fatos históricos que poderiam e deveriam ser explorados, contudo, a exigüidade do tempo nos impossibilita. Esperamos ter atingido nossos objetivos principais, ou seja, atender ao desafio proposto e suscitar uma reflexão sobre a situação da mulher negra na educação.


REFERÊNCIA

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. São Paulo: Moderna, 1996.BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília, DF, 2004.
GONZALEZ, Lélia. Hasenbalg. Lugar de Negro. Rio de Janeiro, Marco Zero, 1982.
JESUS, Ilma Fátima de. Educação, Gênero e Etnia: uma estudo sobre a realidade educacional na comunidade remanescente de quilombo de São Cristóvão, Município de Viana, Estado do maranhão.2001. Dissertação (Mestrado em Educação – Centro de Ciências Sociais da Faculdade Federal do Maranhão, São Luís, 2001).
SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se Negro. 2. ed. Rio de Janeiro, Graal, 1983.
MACLAREN, Peter. Multiculturalismo Crítico. São Paulo, Cortez, 1997.
MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO – MNU. Mulher Negra. Força Rara. Biblioteca Lima Barreto. Série Formação. Salvador, MNU, 1998.________Programa de Ação – Estatuto. Salvador, 1990.
PACAVIRA, Manuel Pedro. NZINGA MBANDI. 3. ed. Luanda, 1985.
PACHECO, Mário Victor de Assis. Racismo, Machismo e “Planejamento Familiar”. 3. ed. Petrópolis,Vozes, 1984.
QUINTAS, Fátima (org.) Mulher Negra: Preconceito, Sexualidade e Imaginário. Recife, Massangana, 1995.

Aconteceu na Tam, é verídico !!!




"Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, ainda haverá guerra."


Uma lenda urbana:

Uma mulher branca, de aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar na classe econômica e viu que estava ao lado de um passageiro negro.
Visivelmente perturbada, chamou a comissária de bordo.
'Qual o problema, senhora?', pergunta a comissária..
'Não está vendo?' - respondeu a senhora - 'vocês me colocaram ao lado de um negro. Não posso ficar aqui. Você precisa me dar outra cadeira'
'Por favor, acalme-se' - disse a aeromoça - 'infelizmente, todos os lugares estão ocupados. Porém, vou ver se ainda temos algum disponível'.
A comissária se afasta e volta alguns minutos depois.
'Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre na classe econômica. Falei com o comandante e ele confirmou que não temos mais nenhum lugar na classe econômica. Temos apenas um lugar na primeira classe'. E antes que a mulher fizesse algum comentário, a comissária continua:
'Veja, é incomum que a nossa companhia permita à um passageiro da classe econômica se assentar na primeira classe. Porém, tendo em vista as circunstâncias, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa desagradável'.
E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária prosseguiu:
'Portanto senhor, caso queira, por favor, pegue a sua bagagem de mão, pois reservamos para o senhor um lugar na primeira classe...'
E todos os passageiros próximos, que, estupefatos assistiam à cena, começaram a aplaudir, alguns de pé.



             'O que me preocupa não é o grito dos maus. 
É o silêncio dos bons...'
 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Preconceito racial e tentativas de escondê-lo, cultura ou hipocrisia.

"Eu tenho um sonho...de que um dia viverão numa nação onde eles não serão julgados pela cor da sua pele mas pela essência do seu caráter." 
 (Martin Luther King)



Alexandre da Silva Colinsque

 Atualmente temos observado as calorosas discussões sobre o preconceito racial em nosso país, ainda são raras a situações onde podemos encontrar pessoas negras ocupando cargos ou profissões que ofereçam certo grau de prestigio social, compreendo que parte desta situação seja fruto da história da colonização de nosso país, sabemos que no período colonial o Brasil se valeu da mão de obra escrava, até hoje existem resquícios desta situação que ainda faz todo um grupo de pessoas ficarem fora do leque de oportunidades e a margem da sociedade, o negro não é inferior por causa da pigmentação de sua pele e por nenhum outro motivo, o que tem inferiorizado população negra é a descriminação, e consequentemente a negação do direito de acesso aos bens culturais, tratamento desigual por parte de alguns seguimentos da sociedade e das escolas onde freqüentam, não raro podemos presenciar situações a falas que reforçam ou negam o preconceito racial até mesmo dentro das universidades.

Ainda podemos sentir o quanto algumas parcelas significativas da sociedade tentam esconder a criminosa prática do racismo, tanto no sentido de praticar o racismo quanto negar e existência das praticas racistas, ou acabam tomando uma postura omissa diante de um ato racista, em alguns casos os atos de racismo são praticados com certa sutileza que talvez nem a própria vitima perceba que ela está em meio a uma situação de intolerância, ou quando a pessoa percebe acaba não conseguindo provar que foi vitima de tal crime.

A exclusão do negro começa desde sua infância, não precisamos ir longe para vermos o quanto a prática de ideias que de uma certa forma acabam reforçando a ideia de que os padrões de beleza estão nas crianças de cor branca, eu nunca vi uma foto de criança negra ilustrando um pacote de fraldas descartáveis, ou qualquer outro produto, dificilmente são escolhidas para desempenharem papéis em novelas as crianças negras, quando a criança chega a sua idade escolar então começam outra série de situações que poderão fazer dela mais uma vitima da exclusão, é atravéz do racismo que se nega praticamente todas as oportunidades de ascensão social e a mobilidade de uma classe social para outra torna-se quase algo utópico.

Outro ponto de reflexão está na questão dos cargos do poder legislativo e executivo, o poder tem passado de mãos em mãos, apesar de se falar tanto em igualdade racial o negro ainda fica de fora dos espaços de poder, raramente chegam a tais postos, tanto no legislativo quanto executivo, todas as vezes que acontece uma colação de grau ou um aluno negro faz desenvolve alguma atividade que é desenvolvida por alunos brancos é feito um alarde enorme na mídia como se aquele momento fosse o mais sublime de todos, esquecendo-se de que numa escola publica é grande o percentual de alunos negros e muitos deles não chegam ao final de sua trajetória escolar, então negar o preconceito racial não o ameniza e muito menos o contrapõe, o que devemos fazer é assumir esta luta em favor da igualdade racial, tanto da mulher negra quanto do homem negro e da criança negra.

Enfim, ainda estamos distantes de atingirmos um nível de equidade racial e consequentemente social, a situação é gritante e cabe a nós enquanto cidadãos lutarmos por uma reeducação da sociedade a fim de reduzirmos as situações de racismo e intolerância, infelizmente temos hoje parlamentares no congresso nacional que falam abertamente e sem nenhum constrangimento sobre seus posicionamentos racistas e intolerantes, como foi na última semana o caso do deputado Bolsonaro que condena qualquer outra opção sexual que não seja a opção dele e do grupo que ele defende no congresso, será que ele vai ser condenado ou quais seriam providencias a serem tomadas a respeito do posicionamento do deputado Bolsonaro que expôs sua intolerância a um outro grupo social que pensa de maneira diferente.

O que quero dizer é que nenhum tipo de argumento justifica o preconceito e a intolerância, afinal quem trabalhou mais para colonizar este país, e quem são os ditos heróis da história. O nosso país deve reconhecer que já explorou em demasia os povos negros, e já passou da hora de admitir que somos todos iguais, nunca fomos diferentes do ponto de vista biológico, o que temos hoje vergonhosamente são as diferenças sociais devido a uma má distribuição de riqueza, e temos o preconceito racial e em face dele muitos acabam não tendo o direito de ser, e além do mais, a cor negra ou branca não é fator determinante no intelecto ou em quaisquer capacidades do se humano.

Alexandre da Silva Colinsque. Acadêmico do 5º semestre do curso de pedagogia, Unemat, campus de Juara.



Diante de todos esses aspectos levantados nesse artigo, propomos a questão:

O QUE FAZER PARA ACABAR COM  PRECONCEITO DE COR E RAÇA NO BRASIL, DISFARÇADO NO MITO DA DEMOCRACIA RACIAL ?


Pesquise feita por: #MSul.Irene Cristina dos Santos Costa
Nortão News, Juara 25 de Outubro de 2011
http://www.nortaonews.com.br/artigos/1962/Preconceito-racial-e-tentativas-de-esconde-lo-cultura-ou-hipocrisia.

domingo, 23 de outubro de 2011

A democracia racial existe ou se trata de um mito?


                               A democracia racial existe ou se trata de um mito?
No Brasil, a história de seus conflitos e problemas envolveu bem mais do que a formação de classes sociais distintas por sua condição material. Nas origens da sociedade colonial, o nosso país ficou marcado pela questão do racismo e, especificamente, pela exclusão dos negros. Mais que uma simples herança de nosso passado, essa problemática racial toca o nosso dia a dia de diferentes formas.
Em nossa cultura poderíamos enumerar o vasto número de piadas e termos que mostram como a distinção racial é algo corrente em nosso cotidiano. Quando alguém autodefine que sua pele é negra, muitos se sentem deslocados. Parece ter sido dito algum tipo de termo extremista. Talvez chegamos a pensar que alguém só é negro quando tem pele “muito escura”. Com certeza, esse tipo de estranhamento e pensamento não é misteriosamente inexplicável. O desconforto, na verdade, denuncia nossa indefinição mediante a ideia da diversidade racial.

É bem verdade que o conceito de raça em si é inconsistente, já que do ponto de vista científico nenhum indivíduo da mesma espécie possui características biológicas (ou psicológicas) singulares. Porém, o saber racional nem sempre controla nossos valores e práticas culturais. A fenotipia do indivíduo acaba formando uma série de distinções que surgem no movimento de experiências históricas que se configuraram ao longo dos anos. Seja no Brasil ou em qualquer sociedade, os valores da nossa cultura não reproduzem integralmente as ideias da nossa ciência.

Dessa maneira, é no passado onde podemos levantar as questões sobre como o brasileiro lida com a questão racial. A escravidão africana instituída em solo brasileiro, mesmo sendo justificada por preceitos de ordem religiosa, perpetuou uma ideia corrente onde as tarefas braçais e subalternas são de responsabilidade dos negros. O branco, europeu e civilizado, tinha como papel, no ambiente colonial, liderar e conduzir as ações a serem desenvolvidas. Em outras palavras, uns (brancos) nasceram para o mando, e outros (negros) para a obediência.

No entanto, também devemos levar em consideração que o nosso racismo veio acompanhado de seu contraditório: a miscigenação. Colocada por uns como uma estratégia de ocupação, a miscigenação questiona se realmente somos ou não pertencentes a uma cultura racista. Para outros, o mestiço definitivamente comprova que o enlace sexual entre os diferentes atesta que nosso país não é racista. Surge então o mito da chamada democracia racial.

Sistematizado na obra “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre, o conceito de democracia racial coloca a escravidão para fora da simples ótica da dominação. A condição do escravo, nessa obra, é historicamente articulada com relatos e dados onde os escravos vivem situações diferentes do trabalho compulsório nas casas e lavouras. De fato, muitos escravos viveram situações em que desfrutavam de certo conforto material ou ocupavam posições de confiança e prestígio na hierarquia da sociedade colonial. Os próprios documentos utilizados na obra de Freyre apontam essa tendência.

Porém, a miscigenação não exclui os preconceitos. Nossa última constituição coloca a discriminação racial como um crime inafiançável. Entre nossas discussões proferimos, ao mesmo tempo, horror ao racismo e admitimos publicamente que o Brasil é um país racista. Tal contradição indica que nosso racismo é velado e, nem por isso, pulsante. Queremos ter um discurso sobre o negro, mas não vemos a urgência de algum tipo de mobilização a favor da resolução desse problema.

Ultimamente, os sistemas de cotas e a criação de um ministério voltado para essa única questão demonstram o tamanho do nosso problema. Ainda aceitamos distinguir o negro do moreno, em uma aquarela de tons onde o último ocupa uma situação melhor que a do primeiro. Desta maneira, criamos a estranha situação onde “todos os outros podem ser racistas, menos eu... é claro!”. Isso nos indica que o alcance da democracia é um assunto tão difícil e complexo como a nossa relação com o negro no Brasil.

Pesquisa feita por Maria Aparecida R. Marques
No blog http://www.brasilescola.com/historia/democracia-racial.htm
Texto de Rainer Sousa  Mestre em História


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A problematização sobre as relações raciais




A problematização sobre as relações raciais tem se ampliado de forma progressiva na sociedade brasileira nessa última década. Essa problematização envolve tanto as práticas cotidianas dessas relações, os embates e ações políticas, como as construções  conceituais a estas relacionadas. Um desses embates teóricos encontra-se na pertinência de uso do conceito de raça ou etnia entre as diferentes descendências populacionais no país. Superado no campo científico a tese da raça, o embate se dá  entre os adeptos da sua transmutação em raça social (Guimarães, 1999) e os que  defendem o uso do conceito etnia, seja esta articulada às correntes culturalistas ou  ligada à perspectiva histórico-político-social, fundamentada na idéia de território  como elemento agregador de significado político. Este último enfoque encontra-se  fundamentado na idéia de afrodescendência como conjunto de referenciais sóciohistóricos  e culturais, que remetem às matrizes africanas. Este trabalho apresenta um   panorama teórico metodológico sobre os conceitos de identidade étnico-racial, a  partir de um histórico dos conceitos de raça, etnia, afro descendências e africanidades  no bojo das relações étnico raciais brasileiras e do racismo que tem historicamente mediado essas relações. O trabalho tem como ponto de partida a tese de doutorado da autora, defendida pela PUC Rio (Lima), sob a orientação da Professora Sonia Kramer.